domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mensagem para Pe. João Benedito

Atendendo a um pedido feito pela estimada editora de nosso boletim paroquial, a Sra. Maria Helena Zanoni, escrevo sobre o Pe. João Benedito Pires das Neves, vosso actual Pároco e irmão no Sacerdócio, com sentimentos um tanto misturados de alegria, gratidão, admiração e como muitos paroquianos que lêem esta coluna, já também com grandes saudades. Um padre falando de outro padre é antes de tudo um irmão e amigo falando de outro irmão e amigo. Em minha memória está bem presente, quando lá pelo meio de Março do ano passado, retornando do Japão após o tsunami, nosso estimado Bispo D. Vicente Costa, consultava-lhe pelo telefone, sobre a possibilidade de servir na Paróquia de Cristo Rei durante minha permanência temporária em Salto. Veio gentilmente até a casa da minha mãe acolhendo-me fraternalmente e oferecendo a hospitalidade da sua Igreja e da reitoria. Encontrei-o com aquele sorriso largo, grande como seu coração, o falar manso, alegre, simples, inteligente como lhe é característico e tão bem conhecido do povo. Tornamo-nos amigos, companheiros no serviço ao povo, partilhando experiências pastorais, angústias, esperanças e sempre com bom humor, refletindo questões vivenciais, próprias da vida sacerdotal.Posso dizer que o Pe. João é um daqueles raros sacerdotes que consegue encontrar um sereno e sadio equilíbrio - tão belamente colocado pelo Pe. João Batista Libânio em artigo entitulado “Padre: um homem de contradições” (http://www.arqmariana.com.br/?p=4490) - entre uma das grandes tensões experimentadas pelo padre hoje: aquela que se dá entre a vocação e a profissão. Como lembra o Pe. Libânio, a vocação sacerdotal que nós cremos ser um chamado divino, está ligada à doação, ao serviço, à gratuidade, à paixão pela causa do Reino de Jesus. Vocação que desperta no sacerdote prazer, felicidade, contribuindo para a realização pessoal. A profissão é o exercício de uma atividade a partir da própria habilidade. Demanda “competência, produtividade, eficiência, resultados visíveis, desempenho”. Exige preparação e dedicação. Por outro lado, oferece remuneração, poder, prestígio, status. Vejo Pe. João como sacerdote, “que não se orienta tanto para a linha profissional”, o que chamamos pautar-se pelos “valores do sistema”. Não é um padre consumista, carreirista, colocando a Igreja e o povo ao seu serviço, ao invés de servir, clericalista, ou subserviente à autoridade. No Pe. João o aspecto vocacional visivelmente fala mais alto, mesmo com todas as limitações inerentes a nós seres humanos. Posso afirmar que testemunhei nestes ricos meses de convivência, a sua procura espiritual, fundamentada solidamente no amor e devoção a Nossa Senhora, em se capacitar e se aperfeiçoar para prestar um bom serviço ao querido povo de Cristo Rei, revelando compaixão e solidariedade em suas atitudes, enfim, sendo mais humano e fraterno com todos os fiéis sem exceção. Percebi nele a autenticidade de um homem que não tem medo de reconhecer e assumir sua fragilidade, buscando na dor e na luta do povo a motivação maior para o seu ministério. Bondosamente Deus abençoou minha vida humana, cristã e de minha família, com a presença, a amizade, o respeito, os cuidados e a espiritualidade do Pe. João. Acredito que as pessoas precisam ser mais realistas quando pensem o sacerdote hoje sabendo colocá-lo no seu lugar. Nem anjo, nem demônio, nem super-herói. Mas simplesmente homem, com todas as contradições e virtudes de qualquer ser humano. Embora receba uma graça especial e uma missão sublime, não se pode exigir o que vai além das suas possibilidades. Ser “figura de Cristo” e agir “na pessoa de Cristo” é muito pesado para um ser tão frágil. O que temos no Pe. João como em tantos outros bons sacerdotes é a realidade de homens comuns em busca da própria realização, querendo se encontrar, lutando e procurando, de alguma forma, servir a sua comunidade. Muitas vezes sem serem entendidos pela sociedade, não raro, carimbados e esquadrinhados com ilusórias ou falsas percepções e expectativas, mas honestamente tentando se equilibrar entre a grandeza do seu ideal e a realidade do seu ser. Concluindo, pela vida e pessoa do Pe. João Benedito, pela sua espiritualidade sacerdotal, mariana, unamo-nos para rezar: “bendito seja o nome do Senhor.” Obrigado irmão e amigo, por expressar tão belamente a verdade espiritual que um sacerdote, mesmo dando a vida pelo ministério e serviço à Igreja, ao Povo de Deus, nunca se define pelo que faz, pelo que produz, pela sua utilidade, pela sua eloquência, inteligência ou reta doutrina, mas sim pelo o que ele é para os outros e para o mundo, no desejo santo de Deus: a presença sacramental, mística e viva de Cristo. Muita alegria, realização, paz e saúde em seus caminhos, a compreensão e o carinho sincero do povo, Pe. João. Que a mão bondosa de Jesus Cristo, o Bom Pastor, repouse suave, mas sempre forte em seus passos, ombros e coração.
Pe. Luiz Antonio Aguiar

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